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O que falta para haver mais títulos verdes no mercado
09/11/2020 Since 1 semana
Érika Motoda, O Estado de S.Paulo
Do lado dos possíveis emissores, 4,61% citam como fator um melhor preço; já os potenciais investidores pedem preços mais atrativos e competitivos.

Ainda em desenvolvimento no Brasil, o mercado de títulos verdes tem potencial de crescimento por aqui, dizem especialistas. Segundo os dados mais recentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a emissão de títulos de dívida temáticos, os chamados “títulos verdes, sociais ou sustentáveis”, somou US$ 328 bilhões em todo o mundo no ano passado, alta de 57% ante 2018. Mas a América Latina e o Caribe responderam por apenas 2% desse total.

Criado para promover as finanças sustentáveis no País, o Laboratório de Inovação Financeira (LAB) fez uma pesquisa com possíveis emissores e investidores para saber quais incentivos e oportunidades poderiam fazer com que eles entrassem nesse mercado.

Do lado dos emissores, 4,61% citaram como fator um melhor preço. “A gente precisa de mais ativos e ativos verdes, que vão ter impacto na liquidez. E os instrumentos estão colocados. As mudanças nos marcos regulatórios, por exemplo, vão viabilizar a maior quantidade de ativos à disposição”, afirmou José Alexandre Vasco, superintendente de Proteção e Orientação aos Investidores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Do lado do investidor, os títulos verdes precisariam ter preços mais atrativos e competitivos (6,43%). “As pessoas têm interesse na sustentabilidade, mas elas ainda veem sua decisão de investimento atrelada ao retorno ajustado, ao risco e à liquidez. Antes de tudo, ele é um investidor. Depois, ele traz a lente de sustentabilidade para essa decisão”, disse Annelise Vendramini, coordenadora do “Guia para Emissão de Títulos Verdes no Brasil”, publicado em parceria da FGV com a Febraban.

A falta de conhecimento tanto sobre o mercado e sobre o destino dos recursos é um dos maiores entraves para a entrada de novos agentes no mercado de títulos verdes, segundo a especialista em finanças do BID Maria Netto. Diante da necessidade de maior transparência, já que 47% dos emissores de títulos na América Latina ainda não informavam o destino dos recursos captados e os impactos dos projetos, o BID criou uma plataforma de transparência sobre esses ativos.

A segurança jurídica também é um fator a ser perseguido na hora de atrair os agentes. “O setor de saneamento, que é extremamente importante no desenvolvimento sustentável, entrou para a lista de projetos de debêntures incentivadas com o decreto 10.387, de junho deste ano. No mês seguinte, já tivemos duas emissões emissão da Iguá Saneamento”, lembrou a gerente de Relações Institucionais do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Tatiana Assali.

Na América Latina, os dois principais setores que emitem títulos verdes são ligados à energia (40%) e uso da terra – que abrange agricultura e manejo florestal – (36%), segundo o CBI. O restantes é dividido entre indústria (7%), projetos de resíduos (7%), recursos hídricos (5%), transportes (3%) e edificações (2%).

Segundo Annelise, uma das explicações para isso é o perfil dos setores que estão emitindo os títulos. “Como o mercado de green bonds surgiu em países desenvolvidos, onde a agenda de sustentabilidade estava muito ligada à energia e ao transporte, foi natural o mercado começar e se desenvolver por aí.”

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