Febraban e CEBDS anunciam criação de um guia sobre Green Bonds

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), a Agência Alemã para a Cooperação Internacional (GIZ) e o Banco Skandinaviska Enskilda (SEB), com o apoio da Febraban, organizaram o simpósio Mercado de Capital Sustentável no Brasil – Preparando o caminho para os Green Bonds, que aconteceu no dia 28 de junho, em São Paulo.

Já na abertura do evento, Marina Grossi, presidente do CEBDS, e Mario Sérgio Vasconcelos, diretor de Relações Institucionais da FEBRABAN, anunciaram a criação de um guia sobre Green Bonds para apoiar e direcionar emissores, investidores e instituições financeiras. “A Febraban e o CEBDS têm trabalhado de forma harmoniosa e complementar em muitos projetos, e agora estamos juntos no apoio aos Green Bonds. O cenário brasileiro não está favorável no momento, mas isso deve mudar e já precisamos estar preparados, especialmente porque o Brasil se comprometeu com metas ambiciosas no Acordo de Paris, e o mercado financeiro tem um papel importantíssimo a cumprir”, disse Marina.

De acordo com Mario Sérgio Vasconcelos, a visão da Febraban em relação aos Green Bonds não é criar novas regulações, mas pavimentar um caminho sem travas para que esse mercado de títulos que privilegiam atitudes ambientalmente corretas se desenvolva no país.

Onde é aplicado o dinheiro dos Green Bonds?

Mats Olausson, consultor sênior do SEB para assuntos ligados ao clima e sustentabilidade, que participou do primeiro painel do simpósio, explicou sobre a importância de se investir em Green Bonds, mostrando onde é aplicado o dinheiro captado nesses bonds: energia renovável (45,8%); eficiência energética (19,6%); meios de transporte de baixo carbono (13,4%); água sustentável (9,3%); lixo e poluição (5,6%); adaptação climática (4,1%) Agricultura e silvicultura (2,2%).

Harald Francke Lund, consultor sênior da CICERO, e Sören Elbech, ex-tesoureiro do BID, falaram sobre boas práticas internacionais em financiamento sustentável. Lund destacou que esses bonds são essenciais para o combate às mudanças climáticas, pois atraem grandes investidores institucionais e fornecem capital para os grandes projetos de infraestrutura verde. Ele disse também que apenas 0,07% do mercado global de títulos de dívida é verde, o que mostra um potencial significativo de crescimento. Já Sören Elbech defendeu que os governos locais devem usar seu poder para criar ‘bancos verdes’, que serão grandes apoiadores de projetos para mitigar as mudanças climáticas.

Experiência da BRF na emissão de Green Bonds

Um dos momentos mais esperados do simpósio foi o depoimento de Élcio Ito, diretor financeiro da BRF, primeira empresa brasileira a emitir Green Bonds, mas que o fez fora do Brasil, com o suporte do Banco Santander. “Nosso negócio de alimentos está intrinsecamente associado à questão da sustentabilidade que, na nossa indústria é um dos pilares estratégicos do sucesso de longo prazo; é uma questão de competitividade e de continuidade. Não dá para ser diferente em uma companhia que opera no Brasil inteiro e, principalmente, em áreas rurais. Então, ter eficiência ambiental e social é intrínseco ao nosso negócio”, introduziu Ito.

Segundo o executivo da BRF, a companhia é um emissor tradicional de títulos no mercado internacional e sempre via a ‘provocação’ dos Green Bonds; já tendo, praticamente, todos os green principles embutidos em sua cultura, o caminho para a emissão foi um pouco mais fácil. Para ele, um dos principais objetivos ao emitir os Green Bonds foi dar um pouco de visibilidade, dentro do mercado de capitais, a essa questão estratégica da sustentabilidade na BRF e estampar um selo verde na emissão de títulos de dívida.

Um segundo objetivo foi diversificar a base de investidores da companhia no continente europeu. “É um mercado incipiente e, por enquanto, conseguimos atrair um número pequeno de investidores, mas ficamos felizes em conhecê-los, saber quais são suas preocupações, como eles pensam, como veem os projetos; em resumo, quem são esses investidores que só podem investir em instrumentos green”, descreveu.

Élcio Ito contou ainda que a experiência de emitir Green Bonds como um todo trouxe um impacto positivo junto à comunidade financeira e, internamente, junto aos 100 mil colaboradores. “Nesse ponta pé inicial, emitimos 500 milhões em projetos green para os próximos sete anos e já publicamos nosso primeiro Green Bond Report. Todo ano temos que dar satisfação aos investidores e demonstrar que estamos obedecendo aos green principles”, explicou.

O sistema financeiro tem um papel viabilizador

O último painel, mediado por Carlos Nomoto, secretário geral, WWF -Brasil, reuniu o próprio Élcio Ito, da BRF; Aline Pacheco, assessora institucional da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo; Guilherme Cardoso, chefe do departamento do Meio Ambiente do BNDES; Linda Murasawa, diretora setorial de Comissão de Responsabilidade Social e Sustentabilidade da FEBRABAN; Rafael Bello Noya, diretor de Financial Solutions & Advisory do Santander; e Warwick Manfrinato, professor Instituto de Estudos Avançados (IEA), Universidade de São Paulo

Eles discutiram a importância de impulsionar os investimentos sustentáveis no Brasil. O professor Manfrinato instigou: “O sistema financeiro tem um papel libertador. Se você tem mecanismos que estão emperrados e não tem movimento, o sistema financeiro tem que se enxergar como um libertador para que as coisas aconteçam”.

Ao final, Yannick Motz, gerente de projetos da GIZ, traçou um panorama das próximas ações do projeto denominado Emerging Markets Dialogue on Green Finance, uma coalizão que reúne dezenas de bancos, empresas, consultorias e organizações em todo o mundo para discutir o tema das finanças verdes e propor soluções considerando as especificidades locais. Encabeçado pela GIZ, o projeto envolve todos os países do G20 e, no caso do Brasil, tem o CEBDS como o parceiro local.  Entre as principais atividades está a realização de simpósios e workshops com empresas potenciais emissoras dos títulos verdes, auditorias, investidores e instituições financeiras, além de consultoria e suporte técnico. Para mais informações, acesse aqui.

Apresentações disponíveis:

Harald Fracke Lund – CICERO

Mats Olausson – SEB

Soren Elbech – Greening Capital Markets

Veronica Seffino- IFC

Yannick Motz- GIZ 

 

Source: http://cebds.org/noticias/febraban-e-cebds-anunciam-criacao-de-um-guia-sobre-green-bonds/#.WADI5-DhCUl


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